Fernando Sousa

Personal Fitness Coach


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Ajuste da altura do selim e da distância do selim ao guiador na bicicleta de ciclismo de estrada

                        A adequação da bicicleta ao ciclista é uma preocupação que existe em todos os utilizadores da bicicleta. São diversos os métodos e as técnicas utilizadas com esse objectivo. Quando se pergunta às pessoas como se adapta uma bicicleta ao corpo, descobre-se que existem quase tantas respostas como pessoas disponíveis para responder; cada individuo tem a sua própria teoria. Na sua maioria, estas teorias baseiam-se em informação por provar e comprovar. O corpo tende a adaptar-se virtualmente a qualquer posição, mas não se obterá o pleno rendimento do pedalar se não se adoptar a posição correcta, (Greg LeMonde e Kent Gordis, 1991). Então qual o método que devemos escolher?

       O método que proponho é o indicado por Algarra e Gorrotxategi (1996). Sugiro uma leitura da revisão da literatura do meu estudo, também publicado nesta página com o título “Estudo Comparativo entre os parâmetros de altura do selim e da distância do selim ao guiador em atletas infantis e juvenis do ciclismo de estrada” para ficarem com uma perspectiva de outros métodos existentes.

                        Algarra e Gorrotxategi (1996), falam na importância da posição básica na bicicleta. Para eles, essa posição é aquela que além de possibilitar o adequado controle da bicicleta, sobretudo permite o melhor aproveitamento da capacidade de gerar força por parte da musculatura implicada no gesto de pedalar, assim como na sua transmissão aos pedais.

                        A posição sobre a bicicleta, segundo eles, depende de dois factores, que são, a técnica individual do ciclista e a própria bicicleta desde que as medidas dos diferentes segmentos da bicicleta tenham alguma relação de proporcionalidade com o ciclista.

                        Segundo eles não existe nenhum método perfeito, mas aquele método que se baseia em parâmetros objectivos é, em seu juízo o melhor e que deixa menos variáveis nas mãos da estética e das sensações. Deve-se em todo momento tentar valorizar o maior número de parâmetros que vão ter alguma relação com a postura sobre a bicicleta.

                        O método proposto por estes autores foi baseado nas medidas antropométricas do ciclista. Sugerem que se meça o entrepernas, a coxa, o tronco, a perna, o braço e o antebraço. Para simplificar, eu sugiro que se utilize apenas a medida do entrepernas que, segundo eles, “é a medida mais importante de todas, e é a que vai servir de referência para todas as medidas da bicicleta”. Coloca-se o ciclista junto a uma parede, em pé e descalço (aconselha-se apenas com as meias de ciclismo calçadas), este afasta os pés a uma distância similar à largura existente entre ambos pedais de uma bicicleta e com um objecto sólido e que tenha uma largura aproximadamente de 1,5cm (pode ser a lombada de um livro), realiza-se uma ligeira pressão vertical no períneo (o entrepernas), de maneira a que o ciclista sinta uma pressão similar à que sente quando esta sentado na bicicleta. Marcou-se um ponto na parede e mede-se a altura do ponto ao solo. A medida obtida é o Entrepernas.

                        Para se obter a altura do selim a fórmula sugerida pelos autores é:

                        A medida do entrepernas do ciclista (E) é multiplicada pelo coeficiente 0’885, o que dá a medida da altura do selim (Hs). Esta medida corresponde à distância entre o centro do eixo pedaleiro e o topo do selim.

 

                        Altura do selim = E (medida de entrepernas) x 0,885

 

                 Convém assinalar que neste caso, esta medida é válida para os pedais tradicionais práticamente inexistentes no ciclismo de competição, e que a utilização de pedais de fixação ou blocagem automática (Look, Time, Shimano) exigiriam uma ligeira elevação do selim (entre 5 e 10mm) pela elevação do apoio do pé que trás consigo a utilização deste tipo de pedais.

                      Para se obter a medida da distância entre o selim e o guiador, a fórmula sugerida pelos autores é:

           A medida da distância entre o selim e o guiador é obtida pela multiplicação do coeficiente 13 pela medida de entrepernas do ciclista, ao qual se subtraiu o coeficiente 270. Depois dividimos o resultado pelo coeficiente 15 e obtemos a distância entre a ponta (“bico”) do selim e o centro do guiador da bicicleta.

 

                        Selim – Guiador = ((13 x Entrepernas) – 270) /15)

 

            Agora, obtidas as medidas da altura do selim e da distância do selim ao guiador é só proceder ao ajuste da bicicleta. O ajuste da altura do selim é talvez o ajuste mais fácil de fazer, no que diz respeito à mecânica da bicicleta. Basta desapertar o espigão do selim, subi-lo ou descê-lo, conforme a necessidade e voltar a apertar novamente o espigão. O ajuste da distância do selim ao guiador em termos mecânicos é uma operação complicada porque exige por vezes a mudança do espigão do guiador. Muitas vezes no mercado não existem espigões com a medida necessária para permitir o ajuste ideal. Assim, em alguns casos, teremos que fazer um ajuste que mais se aproxime do ideal com o material existente.


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Giro d’Italia, 2008

A luta pelas audiências entre os dois grandes periódicos italianos, “la Gazzetta dello Sport” e o “Corriere de lla Sera,” fez nascer a segunda maior prova do ciclismo mundial. O “Corriere de lla Sera” organizou uma corrida automóvel em Itália que foi um grande sucesso e pensou aproveitar essa experiência para organizar uma grande volta em bicicleta. Mas, a 7 de Agosto de 1908 “la Gazzetta dello Sport” adiantou-se anunciando que iria organizar no ano seguinte o “Primeiro Giro d’Italia” para ciclistas profissionais. Costamagna, Morgagni e Armando Cougnet (foi o director do “Giro” até 1948), foram os seus ideólogos e criadores.

A 13 de Maio de 1909 iniciou-se em Milão o primeiro “Giro”. Partiram 127 corredores para percorrer cerca de 2.500km. Foi o mais curto de todos, com apenas 8 etapas. Apenas 49 corredores terminaram e na frente de todos ficou Luigi Ganna. Ficou com 5.325 liras e na história do “Giro” como o seu primeiro vencedor.

A famosa “maglia rosa”, símbolo do líder do “Giro” surge em 1931. A cor rosa foi escolhida por ser igual à cor das folhas de “la Gazetta dello Sport”.

Em 1933 foi criado o prémio da montanha e o seu primeiro vencedor foi Alfredo Binda, mas a “maglia verde” , o símbolo de líder do prémio da montanha surgiu apenas em 1974. Em 1966 começou a classificação por pontos e em 1970 o líder desta classificação começou a envergar a camisola púrpura.

Carlo Galletti vence em 1910 e 1911, Giovanni Brunero, vence em 1921, 1922 e 1926. Em 1950, o suiço Hugo Koblet torna-se o primeiro não italiano a vencer o “Giro”.

Ao longo dos seus 99 anos muitos foram os vencedores, mas alguns, poucos, repetiram os triunfos e só os grandes campeões alcançaram as 5 vitórias. Alfredo Binda, ganhou em 1925, 1927, 1928, 1929 3 1933. Fausto Coppi, ganhou em 1940, 1947, 1949, 1952 e 1953. Eddy Merckx, ganhou em 1968, 1970, 1972, 1973 e 1974.

Alguns portugueses participaram no “Giro”, Fernando Mendes, Joaquim Agostinho, Américo Silva, Quintino Rodrigues, Joaquim Gomes, Serafim Vieira, Manuel Abreu, Carlos Pinho, Pedro Silva, Orlando Rodrigues e Cândido Barbosa. Mas devo distinguir de um modo especial Acácio da Silva que venceu 5 etapas, conseguiu um 7º lugar e em 1989 andou 2 dias de “rosa” e José Azevedo que em 2001 ficou em 5º lugar. Em 1995 a Sicasal-Acral torna-se a primeira e única equipa a participar no “Giro”.

O 99º “Giro d’Italia” está novamente na estrada à procura do mais forte.


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A bicicleta

Em Portugal, por serem muito raros os livros sobre ciclismo, merecem um grande destaque todas as novas publicações. Foi lançado no final de Julho um novo livro de ciclismo, obra fundamental para quem quer saber um pouco mais sobre a modalidade porque aborda a história da bicicleta.

“A Bicicleta e a sua história” da autoria de Alves Barbosa e editado pela “Padrões Culturais Editora” é mais uma contribuição deste grande campeão para o ciclismo.

Este livro aborda, na vertente histórica, as origens e a evolução da bicicleta até aos nossos dias. Também nos dá a conhecer toda a complexidade da mecânica da bicicleta e as sofisticações que esta foi sofrendo ao longo dos tempos.

Ao percorrer as suas páginas descobrimos que Leonardo Da Vinci terá desenhado em 1482 um veículo que poderá ter sido a primeira bicicleta. O professor Piccus da Universidade de Massachustetts afirma que Da Vinci concebeu a transmissão por corrente de elos encadeados. Não existem certezas, mas é famoso o vitral do século XVII, da igreja de Saint Gilles, em Stoke Poges, perto de Windsor, Inglaterra, onde aparece uma “bicicleta”.

A primeira bicicleta de que temos registo, apareceu numa tarde de Verão de 1790 nos jardins do Palais Royal de Paris. O seu criador foi o conde de Civrac. A esse veículo foi dado o nome de Celerifère. Esta “bicicleta” era um barrote com duas rodas com uma locomoção feita através de impulsos alternados das pernas.

O oficial do exército prussiano, Von Drais, a 5 de Abril de 1818 melhora o “celerífero” com a introdução de um mecanismo de direcção e guiador que não existia. A este novo veículo chamou-se a “Draisiana”.

Ernest Michaux em 1855 cria o sistema de auto-propulsão através do movimento de pedais, colocados na roda da frente, parecidos com o que actualmente existe nos triciclos. Passamos a ter a bicicleta “Michaux”.

Em 1867, na grande exposição de Paris aparece o “Biciclo”. Esta bicicleta foi concebida com uma roda dianteira de grandes dimensões, para aumentar o rendimento de cada pedalada. Foi com o biciclo que se disputou em 1869, em França, entre Toulon – Caraman – Toulon, a primeira corrida de bicicletas. Venceu o Letourd, que demorou 3 horas e 9 minutos para percorrer os 34 quilómetros, com uma média de 10,789 KM/Hora.

O parisiense Vincent em 1880, criou o sistema de locomoção na roda traseira. Um ano mais tarde aparece a bicicleta com as duas rodas de tamanho igual.

John Dunlop, veterinário escocês, em 1888 descobre o pneumático, tornando a bicicleta mais confortável.

E a evolução nunca mais parou…