Fernando Sousa

Personal Fitness Coach


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Giro d’Italia, 2008

A luta pelas audiências entre os dois grandes periódicos italianos, “la Gazzetta dello Sport” e o “Corriere de lla Sera,” fez nascer a segunda maior prova do ciclismo mundial. O “Corriere de lla Sera” organizou uma corrida automóvel em Itália que foi um grande sucesso e pensou aproveitar essa experiência para organizar uma grande volta em bicicleta. Mas, a 7 de Agosto de 1908 “la Gazzetta dello Sport” adiantou-se anunciando que iria organizar no ano seguinte o “Primeiro Giro d’Italia” para ciclistas profissionais. Costamagna, Morgagni e Armando Cougnet (foi o director do “Giro” até 1948), foram os seus ideólogos e criadores.

A 13 de Maio de 1909 iniciou-se em Milão o primeiro “Giro”. Partiram 127 corredores para percorrer cerca de 2.500km. Foi o mais curto de todos, com apenas 8 etapas. Apenas 49 corredores terminaram e na frente de todos ficou Luigi Ganna. Ficou com 5.325 liras e na história do “Giro” como o seu primeiro vencedor.

A famosa “maglia rosa”, símbolo do líder do “Giro” surge em 1931. A cor rosa foi escolhida por ser igual à cor das folhas de “la Gazetta dello Sport”.

Em 1933 foi criado o prémio da montanha e o seu primeiro vencedor foi Alfredo Binda, mas a “maglia verde” , o símbolo de líder do prémio da montanha surgiu apenas em 1974. Em 1966 começou a classificação por pontos e em 1970 o líder desta classificação começou a envergar a camisola púrpura.

Carlo Galletti vence em 1910 e 1911, Giovanni Brunero, vence em 1921, 1922 e 1926. Em 1950, o suiço Hugo Koblet torna-se o primeiro não italiano a vencer o “Giro”.

Ao longo dos seus 99 anos muitos foram os vencedores, mas alguns, poucos, repetiram os triunfos e só os grandes campeões alcançaram as 5 vitórias. Alfredo Binda, ganhou em 1925, 1927, 1928, 1929 3 1933. Fausto Coppi, ganhou em 1940, 1947, 1949, 1952 e 1953. Eddy Merckx, ganhou em 1968, 1970, 1972, 1973 e 1974.

Alguns portugueses participaram no “Giro”, Fernando Mendes, Joaquim Agostinho, Américo Silva, Quintino Rodrigues, Joaquim Gomes, Serafim Vieira, Manuel Abreu, Carlos Pinho, Pedro Silva, Orlando Rodrigues e Cândido Barbosa. Mas devo distinguir de um modo especial Acácio da Silva que venceu 5 etapas, conseguiu um 7º lugar e em 1989 andou 2 dias de “rosa” e José Azevedo que em 2001 ficou em 5º lugar. Em 1995 a Sicasal-Acral torna-se a primeira e única equipa a participar no “Giro”.

O 99º “Giro d’Italia” está novamente na estrada à procura do mais forte.


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Paris-Roubaix, 2008

A história do ciclismo é marcada pelo sofrimento, pela entrega e pelo enorme sacrifício dos seus praticantes. Criadora de lendas, capaz de transformar o mais simples e humilde dos homens em mito, é certamente o mais épico dos desportos.

Falar de sofrimento, de jornadas épicas, é falar no já centenário Paris – Roubaix, também conhecido por “inferno do norte”.

É uma prova clássica do ciclismo, teve o seu começo a 19 de Abril de 1896 e foi criada pelo industrial Théodore Vienne. Da linha de partida em frente ao café “Gillet” em Paris, às 5h30 partiram 45 profissionais e 6 amadores. Às 14h40 a “Union des Trompettes de Roubaix” anunciaram a aproximação do primeiro corredor. Ao entrar no velódromo o vencedor foi acolhido pelos sons da Marselhesa, tocada pela “Société Musicale du Vélodrome”. Após nove horas e dezassete minutos o alemão Josef Fisher, entrou para a galeria dos heróis do ciclismo ao vencer esta prova. Somente 13 minutos depois surgiu o segundo classificado, o dinamarquês Charles Meyer.

No livro “Paris – Roubaix, La classique du 20 siècle”, escrito para celebrar o centenário da prova, podemos ver toda a sua história. Descobrimos que em 1957 um português também mereceu fazer parte dessa história. Não ganhou, mas o valor da sua participação mereceu a distinção de ser lembrado e registado nas suas páginas. O seu nome é Alves Barbosa.

Nos dias de hoje, muito mudou, a partida passou para Compiègne, mas nos seus 260km a dureza continua. Os 53km e 700m em calçada irregular (“pavé”) com barro à mistura, divididos por diversos troços, sendo o maior deles de 3700m, continuam a proporcionar o sofrimento épico do ciclismo e a fazer hérois.

Em 2008, uma vez mais, a mais dura prova de um dia fez história e o Belga Tom Boonnen, da “Quick Step” escreveu pela segunda vez o seu nome na galeria dos vencedores.


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A bicicleta

Em Portugal, por serem muito raros os livros sobre ciclismo, merecem um grande destaque todas as novas publicações. Foi lançado no final de Julho um novo livro de ciclismo, obra fundamental para quem quer saber um pouco mais sobre a modalidade porque aborda a história da bicicleta.

“A Bicicleta e a sua história” da autoria de Alves Barbosa e editado pela “Padrões Culturais Editora” é mais uma contribuição deste grande campeão para o ciclismo.

Este livro aborda, na vertente histórica, as origens e a evolução da bicicleta até aos nossos dias. Também nos dá a conhecer toda a complexidade da mecânica da bicicleta e as sofisticações que esta foi sofrendo ao longo dos tempos.

Ao percorrer as suas páginas descobrimos que Leonardo Da Vinci terá desenhado em 1482 um veículo que poderá ter sido a primeira bicicleta. O professor Piccus da Universidade de Massachustetts afirma que Da Vinci concebeu a transmissão por corrente de elos encadeados. Não existem certezas, mas é famoso o vitral do século XVII, da igreja de Saint Gilles, em Stoke Poges, perto de Windsor, Inglaterra, onde aparece uma “bicicleta”.

A primeira bicicleta de que temos registo, apareceu numa tarde de Verão de 1790 nos jardins do Palais Royal de Paris. O seu criador foi o conde de Civrac. A esse veículo foi dado o nome de Celerifère. Esta “bicicleta” era um barrote com duas rodas com uma locomoção feita através de impulsos alternados das pernas.

O oficial do exército prussiano, Von Drais, a 5 de Abril de 1818 melhora o “celerífero” com a introdução de um mecanismo de direcção e guiador que não existia. A este novo veículo chamou-se a “Draisiana”.

Ernest Michaux em 1855 cria o sistema de auto-propulsão através do movimento de pedais, colocados na roda da frente, parecidos com o que actualmente existe nos triciclos. Passamos a ter a bicicleta “Michaux”.

Em 1867, na grande exposição de Paris aparece o “Biciclo”. Esta bicicleta foi concebida com uma roda dianteira de grandes dimensões, para aumentar o rendimento de cada pedalada. Foi com o biciclo que se disputou em 1869, em França, entre Toulon – Caraman – Toulon, a primeira corrida de bicicletas. Venceu o Letourd, que demorou 3 horas e 9 minutos para percorrer os 34 quilómetros, com uma média de 10,789 KM/Hora.

O parisiense Vincent em 1880, criou o sistema de locomoção na roda traseira. Um ano mais tarde aparece a bicicleta com as duas rodas de tamanho igual.

John Dunlop, veterinário escocês, em 1888 descobre o pneumático, tornando a bicicleta mais confortável.

E a evolução nunca mais parou…


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Direitos do jovem atleta

Iniciou-se um novo ano, começou um novo ciclo. É um bom período para reflectir sobre o passado e projectar o futuro. Eu proponho uma reflexão sobre os direitos do jovem atleta. Penso se reflectirmos seriamente sobre este tema, certamente que o novo ano será melhor para os nossos jovens atletas.

Muitas vezes treinadores, dirigentes e pais esquecem-se que um dia foram crianças. Este esquecimento em muitos casos influi de forma negativa na prática desportiva do jovem atleta. Se calhar o querer ganhar, os resultados, o querer ter sucesso, leva a esse esquecimento. Mas temos que nos lembrar que do outro lado estão os jovens atletas. Será que para eles é mesmo importante ganhar? Ou estão mais preocupados em divertirem-se praticando um desporto que gostam? Será que para uma criança é divertido e motivador jogar apenas de longe a longe e escassos minutos? Ou praticar o desporto que o pai gosta e que o obriga a praticar?

Podemos ir mais além e reflectir sobre os motivos que levam os jovens atletas que ganharam tudo nos escalões de formação a deixar de ganhar e a abandonar a prática desportiva. Ou então procurar os motivos que levam a maioria das equipas campeãs nos escalões de formação, a não conseguirem que os seus atletas mantenham o sucesso nas equipas seniores.

Muito temos para reflectir, mas a nossa reflexão deve ser feita a partir da posição do jovem atleta. Devemos sempre pensar no que será melhor para elas, naquilo que elas pretendem e não apenas no que é importante para nós adultos. Para ajudar a esta reflexão, convido a ler os “Direitos do Jovem Atleta”.

Direitos do Jovem Atleta

  • De iniciação desportiva
  • De participar num nível de prática adequado às suas capacidades
  • De ter uma supervisão qualificada
  • De jogar como uma criança
  • De tomar decisões sobre a sua continuidade no desporto
  • De lhe ser assegurado um ambiente de prática saudável e seguro
  • De ter oportunidade para atingir o sucesso
  • De ser tratado com dignidade
  • De se divertir como praticante desportivo

(American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance Association, 1990)

Depois de reflectirem espero que as palavras de Jacques Persone, no seu livro “Nenhuma medalha vale a saúde de uma criança”, deixem de fazer sentido.