Fernando Sousa

Personal Fitness Coach


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Ajuste da altura do selim e da distância do selim ao guiador na bicicleta de ciclismo de estrada

                        A adequação da bicicleta ao ciclista é uma preocupação que existe em todos os utilizadores da bicicleta. São diversos os métodos e as técnicas utilizadas com esse objectivo. Quando se pergunta às pessoas como se adapta uma bicicleta ao corpo, descobre-se que existem quase tantas respostas como pessoas disponíveis para responder; cada individuo tem a sua própria teoria. Na sua maioria, estas teorias baseiam-se em informação por provar e comprovar. O corpo tende a adaptar-se virtualmente a qualquer posição, mas não se obterá o pleno rendimento do pedalar se não se adoptar a posição correcta, (Greg LeMonde e Kent Gordis, 1991). Então qual o método que devemos escolher?

       O método que proponho é o indicado por Algarra e Gorrotxategi (1996). Sugiro uma leitura da revisão da literatura do meu estudo, também publicado nesta página com o título “Estudo Comparativo entre os parâmetros de altura do selim e da distância do selim ao guiador em atletas infantis e juvenis do ciclismo de estrada” para ficarem com uma perspectiva de outros métodos existentes.

                        Algarra e Gorrotxategi (1996), falam na importância da posição básica na bicicleta. Para eles, essa posição é aquela que além de possibilitar o adequado controle da bicicleta, sobretudo permite o melhor aproveitamento da capacidade de gerar força por parte da musculatura implicada no gesto de pedalar, assim como na sua transmissão aos pedais.

                        A posição sobre a bicicleta, segundo eles, depende de dois factores, que são, a técnica individual do ciclista e a própria bicicleta desde que as medidas dos diferentes segmentos da bicicleta tenham alguma relação de proporcionalidade com o ciclista.

                        Segundo eles não existe nenhum método perfeito, mas aquele método que se baseia em parâmetros objectivos é, em seu juízo o melhor e que deixa menos variáveis nas mãos da estética e das sensações. Deve-se em todo momento tentar valorizar o maior número de parâmetros que vão ter alguma relação com a postura sobre a bicicleta.

                        O método proposto por estes autores foi baseado nas medidas antropométricas do ciclista. Sugerem que se meça o entrepernas, a coxa, o tronco, a perna, o braço e o antebraço. Para simplificar, eu sugiro que se utilize apenas a medida do entrepernas que, segundo eles, “é a medida mais importante de todas, e é a que vai servir de referência para todas as medidas da bicicleta”. Coloca-se o ciclista junto a uma parede, em pé e descalço (aconselha-se apenas com as meias de ciclismo calçadas), este afasta os pés a uma distância similar à largura existente entre ambos pedais de uma bicicleta e com um objecto sólido e que tenha uma largura aproximadamente de 1,5cm (pode ser a lombada de um livro), realiza-se uma ligeira pressão vertical no períneo (o entrepernas), de maneira a que o ciclista sinta uma pressão similar à que sente quando esta sentado na bicicleta. Marcou-se um ponto na parede e mede-se a altura do ponto ao solo. A medida obtida é o Entrepernas.

                        Para se obter a altura do selim a fórmula sugerida pelos autores é:

                        A medida do entrepernas do ciclista (E) é multiplicada pelo coeficiente 0’885, o que dá a medida da altura do selim (Hs). Esta medida corresponde à distância entre o centro do eixo pedaleiro e o topo do selim.

 

                        Altura do selim = E (medida de entrepernas) x 0,885

 

                 Convém assinalar que neste caso, esta medida é válida para os pedais tradicionais práticamente inexistentes no ciclismo de competição, e que a utilização de pedais de fixação ou blocagem automática (Look, Time, Shimano) exigiriam uma ligeira elevação do selim (entre 5 e 10mm) pela elevação do apoio do pé que trás consigo a utilização deste tipo de pedais.

                      Para se obter a medida da distância entre o selim e o guiador, a fórmula sugerida pelos autores é:

           A medida da distância entre o selim e o guiador é obtida pela multiplicação do coeficiente 13 pela medida de entrepernas do ciclista, ao qual se subtraiu o coeficiente 270. Depois dividimos o resultado pelo coeficiente 15 e obtemos a distância entre a ponta (“bico”) do selim e o centro do guiador da bicicleta.

 

                        Selim – Guiador = ((13 x Entrepernas) – 270) /15)

 

            Agora, obtidas as medidas da altura do selim e da distância do selim ao guiador é só proceder ao ajuste da bicicleta. O ajuste da altura do selim é talvez o ajuste mais fácil de fazer, no que diz respeito à mecânica da bicicleta. Basta desapertar o espigão do selim, subi-lo ou descê-lo, conforme a necessidade e voltar a apertar novamente o espigão. O ajuste da distância do selim ao guiador em termos mecânicos é uma operação complicada porque exige por vezes a mudança do espigão do guiador. Muitas vezes no mercado não existem espigões com a medida necessária para permitir o ajuste ideal. Assim, em alguns casos, teremos que fazer um ajuste que mais se aproxime do ideal com o material existente.

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José Bento Pessoa

Introdução

José Bento Pessoa foi uma figura lendária do desporto em Portugal, principalmente do ciclismo. A história da sua vida é a história de um jovem de uma cidade pequena, que no Portugal, pobre e atrasado nos finais do sec. XIX, com uma enorme força de vontade e talento, supera todas as adversidades e torna-se num campeão Internacional.

José Bento Pessoa foi o primeiro grande campeão e recordista internacional. Conseguiu feitos que ainda hoje nos espantam e que segundo penso nunca mais foram igualados. Para além do recorde do mundo dos 500 metros, consegue a proeza de em apenas oito meses vencer todas as 68 corridas em que participa. Derrota tudo e todos independentemente da valia dos adversários ou da sua nacionalidade.

Mas como quase todos os nossos heróis, este também foi esquecido e da nossa memória colectiva, varreram-se os seus feitos, restando apenas o seu nome na porta de um estádio municipal.

Para que o passado glorioso de José Bento Pessoa volte à memória colectiva e para que o conhecimento dos seus feitos sirvam de estímulo para todos aqueles que querem superar a mediocridade do país em que vivemos, aqui dou a conhecer a história deste grande campeão

José Bento Pessoa nasceu a 7 de Março de 1874, na rua da Oliveira, em plena cidade da Figueira da Foz. É filho de Ricardo Lourenço Pessoa e de Maria da Guia do Espírito Santo, “ambos naturais, recebidos e paroquianos nesta freguesia e vila da Figueira da Foz”, segundo o registo de nascimento.

A sua infância decorre na Figueira da Foz, fez a instrução primária e depois completou os seus estudos com aulas dadas por professores particulares. As noções de química, física e francês, complementaram-lhe os conhecimentos. Acabados os estudos foi trabalhar para a loja de seu pai. O pai de José Bento Pessoa era proprietário de uma sapataria e gozava de uma boa reputação. Mas o jovem Bento Pessoa não estava talhado para a venda de sapatos, as suas aptidões iam mais para as habilidades manuais e para as ferramentas e motores.

Cedo este jovem se envolve na prática desportiva e nadou, remou, correu, experimentou as novidades dos velocípedes e até experimentou ser guarda-redes de futebol. Numa dessas actividades desportivas deu uma queda e fracturou um tornozelo. Desta fractura ficaram algumas mazelas que o obrigavam a coxear. Um médico local recomendou-lhe exercícios, talvez ciclismo. Foi graças à bicicleta recuperou as mazelas. Curioso que é esta fractura que o faz entrar definitivamente no ciclismo.

Nesta fase da sua vida o jovem Bento Pessoa era um rapaz de belas feições, elegante, sensível e de uma linguagem cuidada. Primava por vestir bem e integrava o grupo dos “finitos”. Este era um grupo de jovens das melhores famílias da Figueira que se reuniam no café Atlântico. Fora deste grupo de jovens que se formou o Ginásio Clube Figueirense no dia 1 de Janeiro de 1895.

Estávamos em 1891 e o velocipedismo era o desporto favorito da juventude graças a uma grande propaganda desta forma de locomoção. Era dito que a bicicleta quadruplicava a velocidade normal do homem. A bicicleta tinha sofrido uma enorme evolução, pesava então entre dez e doze quilos e era velocíssima. Em Portugal Herbert Dagge foi o grande impulsionador desta modalidade conjuntamente com Artur Seabra. Muitos jovens aderiram ao novo desporto, Giovetti, Jorge Norton, Domingos Bastos, Malheiros, James Mascarenhas, Schore, Carlos Bernes. A 5 de Agosto de 1891 foi fundado o “Real Clube Velocipédico de Portugal”. As primeiras corridas que se organizaram decorreram entre Santarém e Sacavém e foram ganhas por Eduardo Minchim e José Diogo de Orey.

No Verão desse ano José Bento Pessoa assiste, com grande entusiasmo, a uma exibição com José Diogo de Orey, Manuel Ferreira e o inglês A. C. Edwards, todos eles consagrados ciclistas. A partir daqui todas as modalidades que experimentara foram postas de lado e tornara-se um apaixonado do velocípede. Pedalava todos os dias, muitas vezes acompanhado por outros jovens figueirenses, José de Araújo Coutinho, Albano Custódio, o seu irmão Constantino Pessoa, Manuel Simões Barreto, Adolfo Rodrigues, António da Encarnação Pestana, José da Cunha Novais, António Reis, Afonso Rainha, Rodrigues de Oliveira, António Mesquita, Joaquim Alves, Fernandes Alves entre outros.

Em 23 de Fevereiro de 1894, em Coimbra, José Bento Pessoa realizou a sua primeira prova oficial. Tinha na altura 20 anos e alinhou como júnior numa prova de 13 quilómetros. Ganhou uma medalha de ouro, a primeira de muitas. Volta a Coimbra em Julho, nas festas da Rainha Santa, e conquista nova medalha de ouro. Na Figueira da Foz as pessoas entusiasmam-se com as vitórias do jovem Bento Pessoa. A 16 de Setembro, na Figueira da Foz, num velódromo improvisado na rua do Príncipe Real e na rua Fernandes Tomás, realizou-se um festival cujas receitas revertiam para o futuro clube velocipédico. Será importante referir que este velódromo improvisado, tinha nos topos uns planos inclinados, feitos em madeira pelos artífices e entusiastas da velocipedia. José Bento Pessoa venceu as duas provas em que participou. Foi um delírio! Os grandes e experimentados corredores, com dezenas de corridas realizadas em Portugal, em Vigo, na Corunha e em Sevilha, saíram derrotados. Os campeões Eduardo Minchim, José Diogo de Orey e Manuel Ferreira baquearam perante o jovem José Bento Pessoa. Estima-se que 10 000 pessoas assistiram a este festival cuja receita líquida foi de 6$400 reis.

Depois deste festival, o entusiasmo pelo velocipedismo redobrou na Figueira da Foz. As ruas foram invadidas pelos grupos de velocipedistas em intensas correrias e começaram a surgir os acidentes. No jornal “A Beira Mar”, um dos mais antigos da Figueira foi publicada em 24 de Junho de 1894 a seguinte notícia:

“Velocipedistas

A exemplo das principais cidades do país e do estrangeiro, possui já a Figueira um numeroso grupo de velocipedistas, alguns dos quais premiados em várias corridas. Deve, porém esse grupo organizar agora, visto ter elementos para isso, um clube velocipédico, que não só desenvolverá mais o gosto por esse género de sport, como também facultará em melhores condições a aprendizagem, pelo estudo dos bons tratados de velocipedia já publicados.

Organizando-se esse clube, poderá a Figueira em breve fazer-se representar condignamente com qualquer concurso de velocipedistas que venha a efectuar-se.

Aí fica o alvitre. Aos “velocemens” figueirenses compete a sua realização”.

A 1 de Janeiro de 1895 foi inaugurado o novo clube figueirense, José Bento Pessoa é um dos fundadores, coube-lhe o nº3 de associado e é nomeado para o cargo de guia-velocipédico. Este cargo vai mantê-lo até ao fim dos seus dias.

Em todos os passeios velocipédicos organizados pelo clube, José Bento Pessoa, caminhara na vanguarda da comitiva. Conta-se, a propósito destes passeios, que num destes piqueniques, Bento Pessoa com 60 anos, entusiasmou-se tanto que veio um ciclista repreendê-lo: “Ó sr. Zé Bento, vá mais devagar! A rapaziada não aguenta o seu andamento, estão quase todos lá para trás arrebentados!”

José Bento Pessoa adoptou a regra do desportista exemplar. Levou uma vida espartana, não bebia álcool, não fumava e não fazia noitadas. Estas regras iria mantê-las ao longo de toda a sua vida. Importa, a propósito destas regras ler um artigo que escreveu na “Figueira Desportiva” em 3 de Setembro de 1925, vinte anos após o abandono da carreira de ciclista profissional.

“Eu não sei o que os rapazes de agora fazem ou pensam do desporto. Não basta que se saiba dar com maior ou menor perfeição um pontapé numa bola, nadar com correcção, remar com melhor método; é preciso, sobretudo, que todo o sportman atente bem nisto: uma noite mal dormida, um excesso na comida, um treino violento sem o correspondente banho de chuva, ou equivalente, ou quaisquer outros excessos que prejudiquem o sistema nervoso são o suficiente para fazer de um forte, um fraco. Mais tarde é que lhe dão pelo erro…Eu falo por experiência própria, pois se não fosse o método rigoroso de treino que tive, não poderia fazer o que faço hoje, sem a menor alteração para o organismo. Não entrava numa prova sem ter uma preparação cuidada de três meses; não bebia vinho e não comia carnes gordas. Fazia os meus treinos de manhã cedo, numa extensão de 10 quilómetros e, à medida que adquiria o fôlego necessário, ia encurtando tanto a distância e acelerando a velocidade. É que eu tinha a vaidade, o orgulho de representar o meu Clube, a minha Terra, mais ainda, acima de tudo, o meu País! Os rapazes de hoje, ao contrário, cometem excessos, prejudicando uns, às vezes, o esforço dos seus companheiros de equipa. Não têm aquele espírito de sacrifício e dedicação pelo clube que antigamente se notava, parecendo que praticam o sport mais por snobismo do que pelo fim que se pretende atingir: o revigoramento da raça”.

Após o festival da Figueira da Foz, José Bento Pessoa, ficou lançado no desporto em Portugal. Inscreveu-se em novas provas e ganhou-as fácilmente. Volta a triunfar em Coimbra e depois em Gouveia. Teve uma enorme popularidade e um enorme sucesso entre as mulheres. Surgiu-lhe então a primeira oportunidade de viver ligado ao ciclismo. Manuel Beirão, representante da marca de bicicletas Brennabor, convida-o para ir trabalhar na sua loja de bicicletas em Lisboa. Ele hesitou, mas aceitou e parte de comboio para Lisboa.

Manuel Beirão apostou neste jovem ciclista para atrair adeptos do velocipedismo à sua loja e também lançar em Portugal a marca Brennabor, que representava em exclusivo em Portugal. Acreditou também no valor de Bento Pessoa, pretendeu profissionalizá-lo filiando-o na União Velocipédica Espanhola. Nesta altura o velocipedismo em Portugal dependia da União Velocipédica Espanhola, entidade que controlava o ciclismo nos dois países. A União Velocipédica Portuguesa só surgiu a 14 de Dezembro de 1899.

Em Lisboa, José Bento Pessoa treinava de manhã e passava o resto do dia ao balcão da loja. De vez em quando participava em pequenas provas nacionais e em passeios velocipédicos.

A 9 de Junho de 1895 correra no Porto, numa prova internacional, no velódromo do Real Velo Clube do Porto. Correu pela primeira numa pista e com ciclista estrangeiros. Estavam inscritos os dois campeões espanhóis, R. Minué e Emílio Marti e toda a elite do velocipedismo nacional.

José Bento Pessoa, na 3ª corrida, Velocidade Internacional, 2000 metros fez segundo lugar, atrás de Emílio Marti. Na 6ª corrida, Grande Internacional, 15 voltas, 5000 metros fez o terceiro lugar atrás de Marti e de Minué. Estes resultados consolidaram o prestígio de José Bento Pessoa.

Em 28 de Junho de 28 de Junho de 1896 foi inaugurado o Velódromo D. Carlos em Algés. Este velódromo era um anseio dos muitos ciclistas de Lisboa. Embora incompleto na sua inauguração, tinha “uma pista muito bem lançada e bastante extensa – 500m de perímetro”. Como seria de esperar José Bento Pessoa, ganhou a corrida seniores resistência, 10 000 metros (20 voltas) e faz segundo lugar na prova seniores velocidade, 3 000 metros (6 voltas) atrás de José d’Orey.

Em 1896, José Bento Pessoa foi filiado na União Velocipédica Espanhola e tornou-se ciclista profissional. Estreou-se como profissional no dia 9 de Setembro de 1896 em Vigo. O ciclista português alinhou na corrida Peninsular e venceu o campeão espanhol Julian Lozano e o seu compatriota Emílio Marti. Venceu na final e em três corridas preliminares. Mas durante a corrida, segundo a imprensa da época, existiu uma ultrapassagem irregular e que ditou a desclassificação, uma multa e a proibição de correr na pista de Vigo durante 8 meses para o ciclista da Figueira. Foi uma estreia pouco auspiciosa.

No final do ano de 1896, José Bento Pessoa tinha 22 anos e 9 meses e ganhara quase todas as corridas em que participou.

Em 12 de Abril de 1897, José Bento Pessoa participa no primeiro campeonato de Espanha em ciclismo, em estrada. A prova tinha 100 quilómetros, com partida em Madrid, passagem por Ávila e regresso a Madrid. Mas para a história, a prova ficou conhecida como os 100 quilómetros de Ávila. Alinharam vinte ciclistas em que os favoritos eram Sugranes de Reus, Peris de Valência e Escobar de Torrijos. Para o vencedor havia um prémio de 750 pesetas e a medalha de ouro de Campeão de Espanha.

José Bento Pessoa, galgou quilómetros atrás de quilómetros, em estradas péssimas, e cortou a meta em primeiro lugar, com cinco minutes de avanço sobre o segundo classificado que era Sugranes. O ciclista português gastou 3 horas e 25 minutos para percorrer os 100 quilómetros. Efectuou uma média de 28,846 quilómetros horários. Assim, o primeiro campeão de Espanha em ciclismo de estrada foi um português.

Em 27 de Maio de 1897 foi inaugurado o velódromo de Chamartin em Madrid. José Bento Pessoa, campeão de Espanha, alinhou na prova de 500 metros. E bate o recorde do mundo. Fez a volta à pista em trinta e três segundos e um quinto, um tempo menor que o recorde do francês Jacquelin que era de 34 segundos e três quintos.

As duas importantes vitórias, em provas tão díspares, são indicativas do grande valor deste extraordinário ciclista. José Bento Pessoa foi a partir daqui um dos maiores ciclistas europeus. A própria Espanha aclamou-o como um filho dilecto, as jovens espanholas apelidaram-no de “Pepe Benito”.

Durante 8 meses José Bento Pessoa consegue uma proeza talvez única no ciclismo mundial, ganha as sessenta e oito corridas em que participa. Ganha tudo e a todos, espanhóis, franceses, italianos, alemães, suecos, ingleses entre outros. Os biógrafos chamam-lhe o período espanhol.

Numa corrida desse período, Bento Pessoa, participou numa corrida de estrada com treinadores. Era uma corrida em que cada velocipedista levava para lhe estimular a corrida um tandem com dois homens. Era uma corrida de 60 quilómetros, com trajecto de ida e volta de 30 quilómetros. José Bento Pessoa apareceu na linha de partida sózinho, sem o tandem de apoio. Perguntaram-lhe se ele ia correr sem um tandem que lhe cortasse o vento, ele respondeu “claro que vou! Espero seguir na peugada do melhor espanhol e depois dar tudo por tudo”. Logo à partida Bento Pessoa colocou-se a escassos metros do favorito. Os treinadores que iam no tandem pedalavam à frente do ciclista e impunham o ritmo de corrida. O ciclista, se desejasse mais velocidade, gritava para os treinadores “mas treno” e estes aceleravam o ritmo.

Sentindo a perseguição implacável do português, o espanhol berrou por diversas vezes “mas treno”, mas o português não descolava. Com esta constante aceleração o espanhol viu o seu tandem acelerar e deixa-lo sozinho para trás. José Bento Pessoa, ultrapassa o espanhol e cola-se ao tandem, mas, uns metros mais à frente, tem um rebate de consciência e arrepende-se de estar a utilizar os serviços dos homens do outro ciclista. Resolve então pedir ainda mais velocidade aos homens do tandem do espanhol. Bem posicionado na bicicleta, Bento Pessoa grita, “mas treno”, “mas treno”. Exaustos pela louca correria os homens do tandem perdem a cabeça e gritam para trás, “Mierda! Se usted quiere mas treno que se adelante!”

José Bento Pessoa acelera ultrapassando o tandem e num ritmo vertiginoso cortou a meta em primeiro lugar. O espanto foi geral!

A 9 de Abril de 1898, no Velódromo Jonction, na cidade de Genebra, na Suiça, José Bento Pessoa tem, talvez a sua mais difícil prova de fogo. Iria enfrentar o campeão Suíço, o invencível Champion. Este homem, de 21 anos, era um sprínter fantástico, nunca perdera uma corrida perante os seus compatriotas. A cidade de Genebra pretendia oferecer a todo o povo suíço a prova da superioridade do seu campeão e também mostrar a alta precisão dos seus relógios. Quando Bento Pessoa bateu o recorde do mundo dos 500 metros, os suíços duvidaram da precisão dos relógios que efectuaram a cronometragem. Apelidaram de “Rosskopt” o cronómetro utilizado.

Os jornais publicitaram este duelo de campeões. Publicaram a fotografia e os dados biográficos dos dois ciclistas. A mobilização foi enorme, a lotação esgotou logo que os bilhetes foram postos à venda. Vinte mil bilhetes foram vendidos, mas o público esperava pelo grande embate.

Quando José Bento Pessoa entrou no velódromo, sentiu o peso de uma assistência como nunca tinha visto. O festival iniciou-se com as corridas preliminares, que não entusiasmaram o público. Quando entrou na pista, conduzido pelo presidente da União Velocipédica Suíça, Bento Pessoa, recebeu uma pequena ovação. Pouco depois, entra o campeão suíço e foi o delírio e a apoteose. Estava equipado de branco e trazia ao pescoço um lenço de seda vermelha. O português percebeu que esse lenço iria transformar-se na bandeira Suíça e fazia parte da coreografia que o suíço tinha ensaiado para a volta de consagração.

Foi dada a partida para o contra-relógio de 500 metros. José Bento Pessoa arrancou e rápidamente percorre os 500 metros, cortou a meta com o tempo de 33 segundos. Nesse momento os suíços verificaram que o tal cronómetro marca “Rosskopf” não era assim tão mau.

De seguida partiu o “Champion”, do numeroso público recebe uma torrente de incentivos, quando cortou a meta os juízes consultaram os cronómetros e verificaram que o suíço realizou um tempo superior ao do português.

Voltaram os ciclistas novamente a ser alinhados para uma corrida. Logo desde a partida, o suíço comandou a corrida. Bento Pessoa controlou o seu adversário e manteve-se à distância de um comprimento. O público, gritou para incentivar o seu ídolo, mas quando entram nos últimos 200 metros o português subiu no relevée e embalou como uma flecha e cortou a meta em primeiro lugar. Não houve palmas, apenas um grito de espanto e decepção. José Bento Pessoa travou e foi silenciosamente para a sua cabina. Nem sequer deu a volta de consagração. Toda a gente desapareceu, nem os delegados da União Velocipédica Suíça, nem sequer os representantes do velódromo ficaram. Bento Pessoa sentiu-se só, mas de repente aparece um português que o abraçou e juntos choraram com emoção daquele feito histórico. Esse português era José Carlos Barros, irmão do Poeta João de Barros, na altura era estudante de engenharia na Suíça

A cidade de Berlim organizava o “Grande Prémio Zimmermann”, era o certame velocipédico mais importante da Europa, no qual se disputava uma medalha de ouro e a avultada quantia de 8000 marcos. Na Primavera de 1898 os organizadores decidiram que o seu “Gran Prix” seria um duelo entre os quatro melhores velocipedistas alemães, Arend, Parmac, Lambrechats e Lehr e a maior revelação da Europa e do mundo velocipédico, José Bento Pessoa.

José Bento Pessoa venceu como quis os campeões alemães. O público berlinense vergou-se ao campeão que vinha de Portugal, ovacionou-o e levou-o em triunfo.

O Grande Prémio Zimmermann foi o ponto mais alto da sua extraordinária carreira. A partir daqui a sua carreira começou a declinar.

José Bento Pessoa, como português que era mergulhou na amargura e na saudade. Regressou a Paris e lá sofreu das longas abstenções sexuais que eram feitas para melhorar o rendimento. Sofreu da ausência da família, dos amigos, do clima e da paisagem natal. Já na viagem para Itália, onde iria correr a 18 e 19 de Abril, adoeceu e já não saiu do hotel. Regressou novamente a Paris, mas as suas noites transformaram-se num martírio. Não conseguiu dormir devido a uma comichão na zona das virilhas e das coxas. Consultou diversos médicos, mas não encontrou cura para o seu mal. Encontrou por acaso um amigo de nome Roger que depois de se inteirar do seu estado de saúde o levou a um famoso médico de Paris. Tratava-se de um clínico que se especializara numa doença que era um tabu na medicina. Bento Pessoa estava atacado pelo mal da alegria, só lhe restava mudar de ambiente, alterar a paisagem do quotidiano. Regressou à sua terra natal.

Na sua terra natal recuperou instantaneamente a saúde. A 27 de Agosto voltou a competir em Viana do Castelo.

No início de 1899, José Bento Pessoa não tinha planos desportivos, passeava de bicicleta pela cidade e arredores. Mas novos adversários surgiram, deles destaca-se José Maria Dionísio. A rivalidade entre José Bento Pessoa e José Maria Dionísio, foi maior, segundo se diz do que aquela que nos anos trinta opôs Nicolau e Trindade. O facto do ciclista figueirense se ter desinteressado um pouco pelo ciclismo em 1900, e de 1902 a 1904, permitiu que José Maria Dionísio surgisse como campeão.

José Maria Dionísio, era natural de Carregal do Sal, foi estudar para Viseu onde se apaixonou pelas bicicletas. Teve o seu grande momento, em 1901, no Caldas – Lisboa, em que venceu Bento Pessoa com três horas de avanço. Convém referir que Bento Pessoa tinha sofrido um furo.

Os dois ciclistas voltaram-se a encontrar-se no velódromo Maria Amélia, no Porto, numa organização do Real Velo – Clube do Porto. José Bento Pessoa venceu com fantástico sprinte à velocidade de 70 quilómetros por hora, o que deixou o público em delírio. A repercussão deste êxito ajudou ao “eclipse” de José Maria Dionísio que, em 1904, depois de outros insucessos, casou e abandonou a modalidade, dedicando-se ao automobilismo.

José Bento Pessoa cimentou a sua cotação, a tal ponto que, a 1 de Setembro, foi alvo de uma homenagem, ao longo das cinco zonas da estafeta Lisboa – Figueira, promovida pelo jornal “O Ciclista”, para a qual foi formada uma comissão formada por Frederico Carlos Ribeiro, Sena Cardoso, Tenório de Oliveira e Adalberto Trancoso. Foi um êxito que culminou com uma récita de gala no Teatro Príncipe D. Carlos pela companhia do actor Joaquim de Almeida, que representou a comédia “As Alegrias do Lar”. De salientar que, no programa, se podia ler um poema de J.J. de Araújo, dedicado a José Bento Pessoa, tendo ainda Ribeiro Couto apresentado a primeira audição de uma valsa, ao piano, a que chamou “Ciclismo”.

Entre 1902 e 1904, Bento Pessoa esteve retirado das competições, mas sempre que havia provas na Figueira da Foz, lá estava ele a fazer as funções de cronometrista.

Voltou a correr em Maio de 1905, no Velódromo de Palhavã, mas perde para o italiano Minori. Porém, um mês e meio depois, na mesma pista venceu o italiano Conelli. A 9 de Julho recuperou o título de campeão nacional, impondo-se a Luciano Pinto.

A carreira desportiva de José Bento Pessoa aproximava-se do fim e em 1905 decidiu ir ao Brasil em busca do êxito… e de proventos financeiros. E, no Velódromo Paraense, por várias vezes deu “show” e foi alvo do público do Pará, que esgotava as bancadas para assistir às suas proezas.

De novo em Portugal e na Figueira da Foz, com 32 anos, casou com Maria da Glória Pessoa Villas, o casal teve cinco filhos. Com os 16 contos fortes que trouxe do Brasil fundou a Cal – Hidráulica do Mondego, Lda. e comprou uma quinta entre a cidade e o campo. Mais tarde teve algumas dificuldades económicas, em especial após a morte da mulher, em Outubro de 1948. Era visto, sempre só no café Oceano ou nos cinemas da cidade.

Até aos últimos dias da vida, percorria, de bicicleta, o caminho entre a sua casa e a sua indústria que possuía no lugar de Carritos.

No início dos anos cinquenta, a câmara da Figueira da Foz decidiu construir um parque de jogos. Este parque mesmo antes de estar concluído já tinha o nome escolhido: Estádio Municipal Oliveira Salazar. Quando a conclusão já estava perto do seu termo, a edilidade figueirense recebeu um ofício da Presidência do Conselho. Através da acta da sessão camarária de 7 de Outubro de 1954 pode-se ter conhecimento do teor desse documento.

“Ofício de 25 de Agosto findo, do Gabinete da Presidência do Conselho, comunicando ter este sabido, através dos jornais, existir a intenção de dar o seu nome ao Estádio Municipal desta cidade. Assim, sugere Sua Exª., sem deixar de se sentir no entanto muito sensibilizado com a ideia, que seja dado àquele estádio um nome de qualquer desportista famoso da Figueira da Foz, como por exemplo, o de José Bento Pessoa. Depois de o Sr. Presidente ter produzido algumas considerações acerca da feliz sugestão de Sua Exª. o Presidente do Conselho, visando o desportista figueirense que, honrando o nome de Portugal no estrangeiro, até ao presente teve maior renome internacional, e depois do vereador Sr. Albino Gonçalves Baptista se ter associado àquelas justas palavras, deliberou a Câmara dar o nome de “José Bento Pessoa” ao Parque Municipal de Jogos, em construção”.

A 7 de Julho de 1954 morreu José Bento Pessoa. Tinha oitenta anos.

Bibliografia

Barroso, Miguel. 2000. História do Ciclismo em Portugal. CTT Correios

Correia, Romeu. 1974. José Bento Pessoa, biografia.

Ciclismo, União Velocipédica Portuguesa – Federação Portuguesa. 2001. Cem anos de ciclismo. Edição de autor


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Giro d’Italia, 2008

A luta pelas audiências entre os dois grandes periódicos italianos, “la Gazzetta dello Sport” e o “Corriere de lla Sera,” fez nascer a segunda maior prova do ciclismo mundial. O “Corriere de lla Sera” organizou uma corrida automóvel em Itália que foi um grande sucesso e pensou aproveitar essa experiência para organizar uma grande volta em bicicleta. Mas, a 7 de Agosto de 1908 “la Gazzetta dello Sport” adiantou-se anunciando que iria organizar no ano seguinte o “Primeiro Giro d’Italia” para ciclistas profissionais. Costamagna, Morgagni e Armando Cougnet (foi o director do “Giro” até 1948), foram os seus ideólogos e criadores.

A 13 de Maio de 1909 iniciou-se em Milão o primeiro “Giro”. Partiram 127 corredores para percorrer cerca de 2.500km. Foi o mais curto de todos, com apenas 8 etapas. Apenas 49 corredores terminaram e na frente de todos ficou Luigi Ganna. Ficou com 5.325 liras e na história do “Giro” como o seu primeiro vencedor.

A famosa “maglia rosa”, símbolo do líder do “Giro” surge em 1931. A cor rosa foi escolhida por ser igual à cor das folhas de “la Gazetta dello Sport”.

Em 1933 foi criado o prémio da montanha e o seu primeiro vencedor foi Alfredo Binda, mas a “maglia verde” , o símbolo de líder do prémio da montanha surgiu apenas em 1974. Em 1966 começou a classificação por pontos e em 1970 o líder desta classificação começou a envergar a camisola púrpura.

Carlo Galletti vence em 1910 e 1911, Giovanni Brunero, vence em 1921, 1922 e 1926. Em 1950, o suiço Hugo Koblet torna-se o primeiro não italiano a vencer o “Giro”.

Ao longo dos seus 99 anos muitos foram os vencedores, mas alguns, poucos, repetiram os triunfos e só os grandes campeões alcançaram as 5 vitórias. Alfredo Binda, ganhou em 1925, 1927, 1928, 1929 3 1933. Fausto Coppi, ganhou em 1940, 1947, 1949, 1952 e 1953. Eddy Merckx, ganhou em 1968, 1970, 1972, 1973 e 1974.

Alguns portugueses participaram no “Giro”, Fernando Mendes, Joaquim Agostinho, Américo Silva, Quintino Rodrigues, Joaquim Gomes, Serafim Vieira, Manuel Abreu, Carlos Pinho, Pedro Silva, Orlando Rodrigues e Cândido Barbosa. Mas devo distinguir de um modo especial Acácio da Silva que venceu 5 etapas, conseguiu um 7º lugar e em 1989 andou 2 dias de “rosa” e José Azevedo que em 2001 ficou em 5º lugar. Em 1995 a Sicasal-Acral torna-se a primeira e única equipa a participar no “Giro”.

O 99º “Giro d’Italia” está novamente na estrada à procura do mais forte.


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Paris-Roubaix, 2008

A história do ciclismo é marcada pelo sofrimento, pela entrega e pelo enorme sacrifício dos seus praticantes. Criadora de lendas, capaz de transformar o mais simples e humilde dos homens em mito, é certamente o mais épico dos desportos.

Falar de sofrimento, de jornadas épicas, é falar no já centenário Paris – Roubaix, também conhecido por “inferno do norte”.

É uma prova clássica do ciclismo, teve o seu começo a 19 de Abril de 1896 e foi criada pelo industrial Théodore Vienne. Da linha de partida em frente ao café “Gillet” em Paris, às 5h30 partiram 45 profissionais e 6 amadores. Às 14h40 a “Union des Trompettes de Roubaix” anunciaram a aproximação do primeiro corredor. Ao entrar no velódromo o vencedor foi acolhido pelos sons da Marselhesa, tocada pela “Société Musicale du Vélodrome”. Após nove horas e dezassete minutos o alemão Josef Fisher, entrou para a galeria dos heróis do ciclismo ao vencer esta prova. Somente 13 minutos depois surgiu o segundo classificado, o dinamarquês Charles Meyer.

No livro “Paris – Roubaix, La classique du 20 siècle”, escrito para celebrar o centenário da prova, podemos ver toda a sua história. Descobrimos que em 1957 um português também mereceu fazer parte dessa história. Não ganhou, mas o valor da sua participação mereceu a distinção de ser lembrado e registado nas suas páginas. O seu nome é Alves Barbosa.

Nos dias de hoje, muito mudou, a partida passou para Compiègne, mas nos seus 260km a dureza continua. Os 53km e 700m em calçada irregular (“pavé”) com barro à mistura, divididos por diversos troços, sendo o maior deles de 3700m, continuam a proporcionar o sofrimento épico do ciclismo e a fazer hérois.

Em 2008, uma vez mais, a mais dura prova de um dia fez história e o Belga Tom Boonnen, da “Quick Step” escreveu pela segunda vez o seu nome na galeria dos vencedores.


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A bicicleta

Em Portugal, por serem muito raros os livros sobre ciclismo, merecem um grande destaque todas as novas publicações. Foi lançado no final de Julho um novo livro de ciclismo, obra fundamental para quem quer saber um pouco mais sobre a modalidade porque aborda a história da bicicleta.

“A Bicicleta e a sua história” da autoria de Alves Barbosa e editado pela “Padrões Culturais Editora” é mais uma contribuição deste grande campeão para o ciclismo.

Este livro aborda, na vertente histórica, as origens e a evolução da bicicleta até aos nossos dias. Também nos dá a conhecer toda a complexidade da mecânica da bicicleta e as sofisticações que esta foi sofrendo ao longo dos tempos.

Ao percorrer as suas páginas descobrimos que Leonardo Da Vinci terá desenhado em 1482 um veículo que poderá ter sido a primeira bicicleta. O professor Piccus da Universidade de Massachustetts afirma que Da Vinci concebeu a transmissão por corrente de elos encadeados. Não existem certezas, mas é famoso o vitral do século XVII, da igreja de Saint Gilles, em Stoke Poges, perto de Windsor, Inglaterra, onde aparece uma “bicicleta”.

A primeira bicicleta de que temos registo, apareceu numa tarde de Verão de 1790 nos jardins do Palais Royal de Paris. O seu criador foi o conde de Civrac. A esse veículo foi dado o nome de Celerifère. Esta “bicicleta” era um barrote com duas rodas com uma locomoção feita através de impulsos alternados das pernas.

O oficial do exército prussiano, Von Drais, a 5 de Abril de 1818 melhora o “celerífero” com a introdução de um mecanismo de direcção e guiador que não existia. A este novo veículo chamou-se a “Draisiana”.

Ernest Michaux em 1855 cria o sistema de auto-propulsão através do movimento de pedais, colocados na roda da frente, parecidos com o que actualmente existe nos triciclos. Passamos a ter a bicicleta “Michaux”.

Em 1867, na grande exposição de Paris aparece o “Biciclo”. Esta bicicleta foi concebida com uma roda dianteira de grandes dimensões, para aumentar o rendimento de cada pedalada. Foi com o biciclo que se disputou em 1869, em França, entre Toulon – Caraman – Toulon, a primeira corrida de bicicletas. Venceu o Letourd, que demorou 3 horas e 9 minutos para percorrer os 34 quilómetros, com uma média de 10,789 KM/Hora.

O parisiense Vincent em 1880, criou o sistema de locomoção na roda traseira. Um ano mais tarde aparece a bicicleta com as duas rodas de tamanho igual.

John Dunlop, veterinário escocês, em 1888 descobre o pneumático, tornando a bicicleta mais confortável.

E a evolução nunca mais parou…